Como referi no outro texto , a minha operação durou 8 horas,
Em vez de me levarem para o recobro, ainda fiquei lá dentro umas boas horas, porque a minha mãe disse-me que eu tinha acordado em pânico e que comecei a tirar as coisas todas de mim, os enfermeiros deram-me seis calmantes, e desta parte eu lembro-me perfeitamente, acho que nunca me vou esquecer, deram-me tantos calmantes que nem eu própria conseguia abrir os olhos e nem me mexer, sabem aquela sensação de impotência ? que não nos conseguimos mexer mas conseguimos ouvir tudo? , bem foi isso que me aconteceu eu não me conseguia mexer mas ouvia um enfermeiro sempre a dizer " Ana Isabel? Consegue ouvir-me? " Ana Isabel , acorde" Ana Isabel? " sempre assim o que me estava a enervar profundamente por eu odeio o nome Isabel, então ele estava sempre a chamar-me para eu acordar, mas eu não conseguia, depois foram chamar uma enfermeira amiga da minha mãe, porque acho que minha mãe estava preocupada porque devia ter ido para ao recobro á muito tempo e ainda estava la dentro numa sala de cirurgia, então chamaram a enfermeira e a enfermeira dizia-me " Ana Isabel? acorda, a operação correu muito bem" Ana Isabel consegues ouvir? " e eu a pensar para mim ( outra vez a mesma coisa, o nome ISABEL) estava-me a enervar, mas la consegui arranjar força e abrir os olhos com muita dificuldade e a única coisa que perguntei foi " Posso beber um bocado de água?" , no qual o enfermeiro responde " Não pode Ana Isabel" e eu fiquei a pensar ( bolas estou aqui cheia de sede, dormi bastantes horas preciso de beber água), só depois é que me apercebi que tinha um tubo dentro da minha garganta, tentei não entrar em pânico outra vez, mas era algo que me custava, saber que tinha o tubo dentro da garganta, que custava falar, eu só queria que mo tirassem, depois disso eu voltei adormecer.
Devem-me ter levado para o recobro, que é uma sala, com alguns pacientes onde ficamos lá a ser observados e a recuperar.
Quando acordei tinha a minha mãe lá ao meu lado e a enfermeira, elas estavam a falar comigo mas eu não conseguia perceber lá muito bem, não conseguia manter os meus olhos abertos, que no entanto voltei adormecer de novo!
Passado um bom bocado, eu acordei e comecei a estranhar tudo, a perguntar onde é que eu estou, o que era isto, tantas máquinas e tantas pessoas, estavam lá quatro enfermeiros, quando acordei um veio ter comigo, para ver se eu estava bem, veio medir-me a febre e essas coisas que os enfermeiros tem que fazer, mal ele virou costas eu comecei a ter vómitos, muitos vómitos seguidos, mas não conseguia deitar nada cá para fora porque tinha o tubo dentro da garganta, até que passado um bocado o médico que me operou deu autorização para me retirarem o tubo.
O enfermeiro chegou perto de mim, disse para eu respirar enquanto ele retirava o tubo para ser sincera não doeu, apenas senti um alívio porque conseguia falar e já podia vomitar a vontade, porque sim eu passei a noite toda a vomitar, mal consegui dormir, estava sempre a tocar no meu corpo para ver o que eles tinham feito, e eu tinha cinco pensos , quatro de cada lado na barriga, um no umbigo e o outro na parte íntima porque foi por aí que retiraram os "bichinhos" ou seja tinha cinco furos na barriga!
Para quem não sabe , eu não fui operada aberta. fui operada por furos que se chama Laparoscopia, que é um método que tem mais rápida recuperação, que não se têm muitas dores, e a verdade é que eu não tinha dores nenhumas.
Continuando a minha história, esse dia foi horrível, não parava de vomitar, depois reparei que tinha uma algália, o que se tornava muito desconfortável eu virar-me ou mexer-me, e passei assim a noite, quando eu tentava adormecer ia lá um enfermeiro ver a minha tensão e a minha febre sempre assim ou seja tornou-se impossível eu adormecer, já era quase de manha e eu ainda acordada.
O meu médico foi lá ver se estava tudo bem comigo, ver os pensos para ver se tinha acontecido alguma coisa, e por acaso estava tudo bem, e porque? porque eu não me conseguia mexer essa era a realidade foi das piores coisas que eu já passei em toda a minha vida, posso dizer que foi mesmo horrível.
Depois foram lá umas enfermeiras, retiram-me a algália sem me avisarem o que doeu imenso, depois foram buscar as minhas coisas para eu poder tomar banho, vesti a minha camisa de dormir porque era larga e assim não apertava na barriga que era onde tinha os pensos, e mandaram-me andar, o que foi bastante desconfortável porque eu andava toda aberta, eu própria me ria no hospital só pela minha maneira de andar, e as pessoas olhavam para mim a pensarem " Esta miúda foi operada ontem e já esta andar ?! " ah pois é, eu tinha sido operada e no dia seguinte já estava andar sem qualquer tipo de problema, porque eu sou uma pessoa forte e eu só queria sair daquele hospital, então quanto mais me esforçava mais saía de lá rápido :)
As enfermeiras viram que eu andava bem , que não tinha qualquer tipo de problema, então mandaram-me para o meu quarto.
Quando eu cheguei lá ao meu quarto, a senhora que me estava a fazer companhia perguntou-me " Então já cá estas?"
E eu respondi : " Estou sim senhora, vim fazer-lhe companhia".
e ela sorriu .
Depois reparei que ela não tinha comido, porque a comida dela ainda estava la, porque ás vezes as auxiliares de saúde não conseguem ajudar todos os utentes, então como eu sou auxiliar de saúde saiu-lhe a sorte grande.
Essa senhora chamava-se D. Maria, tinha cancro no estômago já muito avançado, tinha demência, já estava num estado bastante crítico.
Então eu perguntei-lhe :" Então você ainda não comeu?
ela responde : Não ainda não me vieram dar a comida.
eu respondi : Deixe estar que eu já lhe dou a comida.
Eu mesmo ter sido operada, mesmo ter as dificuldades que tinha, cheguei perto dela e dei-lhe a comida, ela não queria comer mais, então eu insistia, e dizia que a comida era para ela se tornar ainda mais forte, para ela aguentar-se o resto do dia, quando lhe acabei de dar a comida ela diz-me assim " Tu tens jeito, vens com essa conversa, querida só para eu comer" , e eu disse " claro D. Maria tem que ser você tem que comer.
Depois veio auxiliar de saúde, e eu disse " Não se preocupe eu já lhe dei a comida".
E foi assim a minha história de operação.
Fiquem atentos porque irei escrever sobre o meu internamento onde a D. Maria está em toda a minha história, vocês vão adorar :)
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